A Ilha Sagrada dos Mitos

Nó Celta

Geoffrey de Monmouth, historiador do século XII, se refere a Avalon como “Insulis Avallonis”, que pode se traduzir por Ilha das Maçãs, num claro simbolismo paradisíaco. A ilha é ainda associada às místicas ilhas Afortunatas, situada em águas ocidentais. “A ilha das maçãs que os homens chamam de “A Ilha Afortunada” recebe o seu nome pelo fato de produzir todas as coisas por si só.”

Avalon, a lendária ilha, onde Excalibur, a espada do Rei Arthur, foi forjada e para onde o próprio rei tinha voltado vitorioso depois da sua última batalha, para ser curado de um ferimento mortal. A ilha sagrada é regida por Morgana, sacerdotisa e feiticeira que, juntamente, com nove donzelas sacerdotisas, se torna a responsável pela cura de Arthur, no Outro Mundo. “Ela, que é a primeira delas, é mais habilitada na arte da cura, e destaca de suas irmãs pela beleza e pela prática de mudar de forma.” A “Ynis Afallach”, um lugar misterioso e sobrenatural, associada a Glastonbury, Avalon é a ilha onde Arthur permanece vivo.

Abadia de Glastonbury – Inglaterra

E quando, em 1191, os monges de Glastonbury encontraram a suposta sepultura de Arthur, no cimo de um pequeno monte, que dantes se encontrava circundado de água, disseram ser este o local da mítica ilha de Avalon. A inscrição no túmulo dizia o seguinte:

“Aqui jaz, enterrado na Ilha de Avalon, o conhecido Rei Arthur”.

Em uma posição de poder e conhecimento, diz a lenda que Morgana confere às mulheres uma importante retomada de sua posição forte no culto às Deusas. O mosteiro de Glastonbury tem a tradição de ter sido fundado por José de Arimatéia, onde contam, teria trazido o Santo Graal para as Ilhas Britânicas e por isso é um lugar ligado à busca do Graal. A transição entre as tradições pagã e cristã.

Ynis Afallach

A crônica de Margan explica, portanto, as inscrições: “pois o lugar (Glastonbury) era no passado cercado por pântanos e foi chamado de Ilha de Avalon, a ilha das maçãs. Aval significa maçã em britânico”. Gerald elabora o mesmo tema, dizendo que maçãs costumavam abundar o local. Ele se apoia na Vita Merlini de Geoffrey para acrescentar que “Morgan, um nobre governante da região era intimamente relacionado a Arthur (nas fontes posteriores), que o leva para a ilha agora chamada Glastonbury, para curar seus ferimentos” (Thorpe, 1978).

O único valor concebível para a inscrição desse túmulo, é dar nome da sua localização para identificar Glastonbury como a Ilha de Avalon. Avalon de Geoffrey não é em Glastonbury e sim, uma rota para Avalon. Seria uma ilha no mar e não uma antiga fundação eclesiástica.

A inscrição no túmulo parece querer harmonizar uma idéia estabelecida de que o último local de descanso de Arthur teria sido Avalon com o fato de que o seu corpo foi descoberto em Glastonbury. Isso não pode significar que a inscrição na cruz do seu suposto túmulo, seja posterior a Geoffrey, podendo ser, portanto, na melhor das hipóteses, apenas uma geração mais antiga do que o seu descobrimento.

Esses registros da Abadia de Glastonbury foram amplamente reproduzidos por William de Malmesbury. Entretanto, logo foram revisados a luz de Geoffrey de Monmouth e aumentaram o interesse pelo material Arthuriano, tomando difícil desemaranhar as várias hipóteses. Gerald confirma que, pela época da sua visita, Arthur estava “muito admirado com a história do excelente mosteiro de Glastonbury, do qual ele mesmo foi no seu tempo um instinto patrono e um generoso doador e defensor” (Thorpe 1978), uma característica a que Caradoc de Llancarfan aludiu.

A descoberta do corpo de Arthur tem sido ultimamente vista como rota para a Ilha de Avalon. Se ele não se recuperou e morreu ali, poderia muito bem se esperar que ele fosse enterrado no local. Para os etimologistas do século XII, estava claro que Glastonbury era um nome inglês e que, se a fundação é anterior à conquista saxônica, deve ter tido um antigo nome britânico. Os saxões chamaram Glastonbury de Ilha de Vidro (Caer Ynis) e os galeses optaram por chamar Avalon de “Ynis Afallach”, a ilha sagrada dos mitos celtas.

Adaptação da fonte bibliográfica:
O Reinado de Arthur – da história à lenda – Christipher Gidlow
VITA MERLINI – Geoffrey de Monmouth
Rowena A. Senėwėen ®

Ilha de Avalon

Avalon, minha razão e minha emoção,
Minha alegria e minha tristeza.
As brumas sempre voltam ao amanhecer.
Antes eram mais amenas com certeza
E os mundos quase podiam se tocar.
Mas algo foi lançado ao vento.
As brumas encobriram tudo novamente,
Ocultando aquilo que maculou o sentimento.
O templo é a essência do que restou,
Lá nada é passageiro.
Pela honra do código dos filhos de Avalon,
O que se sente é verdadeiro.
A força que atravessou o tempo e o espaço,
É vivido no momento presente.
O futuro é o presente que se vive agora.
Avalon, a ilha sagrada, ressurge plenamente
Para quem quiser crescer, amar e arriscar
Sem medo de nada perder.
Pois apenas se perde
Aquilo que não se pode viver!

Rowena A. Senėwėen ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Todos os direitos reservados.

"Três velas que iluminam a escuridão: Verdade,
Natureza e Conhecimento." Tríade irlandesa.

Nó Celta

Cat

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